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Quarta-feira, 01 de Dezembro de 2021

Novembro Roxo: o mês da prematuridade

Novembro Roxo: o mês da prematuridade

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No mês de novembro comemora-se o Dia Mundial da Prematuridade, celebrado mundialmente no dia 17. A seguir confira a entrevista com o casal santo-augustense, Carmem Suelem Pereira e Edevandro Castro Gutecoski, que passaram por essa experiência.

Ambos, sempre desejaram ser pais, e, após dois anos de tentativas, conseguiram realizar o sonho da gravidez. Suelem, como gosta de ser chamada, relata que sua gravidez foi tranquila, saudável, acompanhava o marido nas viagens de trabalho, inclusive, em uma dessas viagens, sentiu os primeiros sintomas da gravidez, realizou testes de farmácias e de sangue, os quais deram positivo. Para completar a alegria da família, no decorrer dos dias, realizando exames de ultrassom, o casal descobriu que seriam pais de gêmeas, foi muita emoção para todos os amigos e família.

A gestação evoluía normalmente, sem nenhuma complicação, sem dores, cada movimento na barriga era motivo de alegria. Não imaginavam o que o destino reservava para eles. Com 7 meses e 1 semana de gestação, uma das bolsas se rompeu, a bolsa da Luísa, na terça-feira, 7 de abril de 2015, às 19h15. Suelem e o marido se deslocaram até a clínica onde fazia o pré-natal, quando o médico constatou o rompimento da bolsa. Por serem bebês prematuros, houve a necessidade de leitos de UTI para as gêmeas, então eles foram transferidos para o Hospital Estrela, na cidade de Estrela.

Ao internar, foi avaliada pelos médicos, os quais decidiram em aguardar mais uns dias para realizar a cesárea e começaram a ministrar medicação para recomposição do líquido na placenta. Porém, no dia 9 de abril de 2015, quinta-feira à tarde, optaram em realizar o parto das meninas. Segundo Suelem, o parto ocorreu bem, a Rafaela nasceu às 16h19 e a Luísa 16h20. Devido à prematuridade de 32 semanas, foram encaminhadas diretamente para a UTI, não sendo possível a mãe pegá-las nos braços. No dia seguinte, Suelem foi até a UTI para ver as filhas, bem pequenininhas, no oxigênio, com sonda, fazendo fototerapia. “Foi um momento muito difícil vê-las assim”, conta a mãe.

Diariamente tinham informações das bebês através dos médicos. Suelem e Edevandro alugaram um apartamento ao lado do hospital e ficaram lá. Todos os dias, às 7h30, a mamãe extraía o leite e as enfermeiras alimentavam as meninas com o leite materno. Suelen descreve que Luísa era calma, só chorava quando sentia fome, já Rafaela era mais agitada. As gêmeas apresentaram complicações nesse período, mas, segundo os médicos, nada grave, tudo era questão de atingir o peso para ter alta. Diante disso, o pai, Edevandro, retornou para Santo Augusto e Suelem permaneceu com a mãe no Hospital. Porém, no dia 1° de maio, ao retirar o leite, percebeu que Luísa não estava bem, não estava igual aos outros dias, aparentava estar “amarelinha”. A enfermeira disse que era normal, pois cada dia na UTI é um dia diferente e podem ocorrer essas alterações. Na parte da tarde, às 15h, a avó materna entrou visitar as netas e percebeu novamente que Luísa não estava bem, chamaram a enfermeira e constataram que havia dado uma parada respiratória, tendo que ser entubada. Enquanto Suelem aguardava angustiada do lado de fora da UTI, os médicos tentaram de todas as formas reanimar a pequena Luísa, mas não foi possível. Luísa veio a óbito.

Após a perda de Luísa, a irmã Rafaela seguiu internada. Os pais vieram para Santo Augusto, realizaram o velório da pequena Luísa, e logo retornaram a Estrela. Chegando lá, notaram Rafaela abatida, “por três dias Rafaela não chorou, apenas nos olhava, sentindo a perda da irmã”, conta a mãe. Nesse momento, foram informados que Rafaela havia contraído uma bactéria na pele e estava em isolamento na UTI, atrasando a alta hospitalar. “Ficamos com muito medo de perder a Rafaela também”, relata Suelem.

Para auxiliar na recuperação da bebê, a equipe médica autorizou que a mamãe pegasse sua filha nos braços e amentasse no peito pela primeira vez, técnica chamada de canguru, onde há a aproximação dos pais com o bebê.  Suelem se emociona ao relatar o primeiro banho, em segurar sua filha tão frágil no colo. Ao mesmo tempo em que sentia alegria em segurar Rafaela, toda vez que chegavam na UTI vinha a lembrança e a dor da perda de Luísa, e precisavam se manter fortes para não demonstrar tudo isso a Rafaela.

Após 45 dias de internação aconteceu a tão sonhada ida pra casa, seguindo todos os cuidados. Com o passar do tempo, Rafaela foi se desenvolvendo sempre acima das expectativas. Hoje ela tem 6 anos. ” É uma menina muito forte, por tudo que passou, parece que ela sabe que precisa ser forte e sabe que vai conseguir, é muito decidida”, conta Suelem. Ela relata que Rafaela terá que realizar um cateterismo, pois tem sopro no coração, e segue realizando acompanhamento, mas a fé e a coragem da pequena Rafaela dão forças para família seguir sempre em frente.

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