Cidades

Curso de Bacharelado em Agronomia do IFFAR Campus Santo Augusto

O IFFAR Campus Santo Augusto está fazendo 11 anos no município e há dois anos está ofertando o Curso de Bacharelado em Agronomia. Conversamos com a Diretora Geral Verlaine Denize Brasil Gerlach e com o Prefeito Naldo Wiegert.
["Conversa com a Diretora Geral Verlaine Denize Brasil Gerlach e com o Prefeito Naldo Wiegert sobre a doa\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de terra que se faz essencial para o Curso de Bacharelado em Agronomia"]

Afinal, o tempo está passando e o curso pode ser desaprovado pelo MEC. Porém, para que este curso seja aprovado pelo MEC (que possivelmente fará uma visita até o final do ano), é essencial que uma doação de área de terras ocorra. De acordo com a Diretora Geral do IFFar Campus Santo Augusto,  caso a doação desta área não se concretize, o curso que é tão desejado na Região Celeiro e gratuito corre o risco de não poder ofertar novas turmas.Vale salientar que a área de terra se faz necessária ainda para outros experimentos das práticas pedagógicas de dois cursos: Técnólogo de Gestão em Agronegócio e o Técnico Integrado ao Ensino Médio em Agropecuária. 

Entenda o caso

Perguntas ao Prefeito Naldo Wiegert

O Celeiro: Qual o papel da prefeitura nesse caso?
Naldo Wiegert: O município de Santo Augusto na administração passada, quando eu era vice prefeito,  assumiu um compromisso com o IFFar para conseguir uma área em torno de 25 hectares para os alunos realizarem as aulas práticas. No entanto, o município não teve condições financeiras de fazer sobrar recursos para adquirir uma área desse tamanho, porque isso gira em torno de R$ 1 milhão e 200 mil a R$ 1 milhão e 500 mil, e o munícipio não teve condições de fazer sobrar. No entanto, na atual administração a solução que encontramos foi alienar bens públicos para ter o recurso para comprar a área. 
Encaminhamos um projeto de lei para câmara de vereadores que foi criteriosamente analisado e acrescentados os detalhes que os vereadores entenderam importantes que constasse no projeto de lei, o executivo aceitou todas as solicitações que os vereadores fizeram. Finalmente, em 18 de março de 2019, foi sancionada a lei 2.898 que autoriza a prefeitura a vender dois terrenos, um com 1123 m², próximo a rodoviária, no valor mínimo de R$ 336,900, o outro próximo ao Cemitério do João XXIII, com uma área de 7760m², avaliado em R$ 942,000. Se forem vendidos no preço mínimo, será arrecadado R$1,300,000 e com isso será feito um chamamento público para receber ofertas de áreas que estejam dentro das especificações que foram feitas por uma ampla comissão que definiu as características da área, que deve ter 25 hectares com pelo menos 80% de área agricultável.


O Celeiro: O que está acontecendo agora?
Naldo Wiegert: Foi emitido um edital no dia 08 de abril de 2019, que foi publicado em diversos veículos de comunicação e no Diário Oficial do Estado, e agora estamos aguardando as propostas dos eventuais compradores que têm prazo até 10 de maio às 14h para apresentar as propostas. Logo após haverá uma análise e as melhores propostas serão as vencedoras, então será feita a escritura e passa-se o terreno para o comprador. Então será feito o depósito numa conta específica definida para própria lei, então se faz o lançamento de um edital chamando as pessoas que tem interesse de vender uma área dentro das características que foram definidas pela comissão, assim será feita a aquisição da área e assim doado para o IFFar. 


O Celeiro: É possível um resumo da versão da Prefeitura?
Naldo Wiegert: O município assumiu um compromisso e não conseguiu juntar o dinheiro, então encaminhou um projeto de lei para câmara, a câmara aprovou e foi colocado dois terrenos bem avaliados para eventuais compradores, os envelopes de propostas vão ser abertos no dia 10 de maio e com o valor da venda dos terrenos o recurso será utilizado para comprar uma nova área com as características específicas, e assim com a compra será feita a doação ao IFFar.
O Celeiro: Como você vê a importância do Curso Bacharelado em Agronomia para Região Celeiro?
Naldo Wiegert: Eu considero importante, tanto é que quando foi pensado na ideia de ter um curso de agronomia e a direção do IFFar veio até nós, eu na época era vice prefeito, imediatamente apoiei. Lamentavelmente em virtude de não ter o recurso atrasou um pouco e atrasou muito mais pela tramitação dessa lei que foi encaminhada em setembro de 2018 e só foi aprovada em março de 2019.


O Celeiro: Pode atrasar?
Naldo Wiegert: Se não aparecer compradores, sim. Pois o município depende exclusivamente de vender essas propriedades para arrecadar o dinheiro para compra do terreno!
 

Perguntas à Diretora Geral Verlaine Denize Brasil Gerlach 

O Celeiro: Por que o Curso em Bacharelado em Agronomia foi autorizado mesmo não tendo a área de terra existente?
Verlaine: Para que o Curso de Agronomia fosse autorizado pelo nosso Conselho Superior do Instituto Federal Farroupilha, era exigido uma área de terra.  Fomos autorizados pelo Conselho Superior porque existia um termo de compromisso que foi assinado pelo Poder Executivo e Legislativo da época que se comprometia em doar essa área de terras para o IFFAR Campus Santo Augusto. A partir desse documento assinado cada um foi cumprir a sua parte. A nossa era fazer o encaminhamento do processo, obter autorização para o seu funcionamento e ter quadro de servidores suficientes para ministrar todas as disciplinas da Agronomia. Era uma demanda muito grande da comunidade local e regional. A partir de que o curso vai avançando se faz necessária essa área de terra.


O Celeiro: Como funciona essa visita do MEC? 
Verlaine: Geralmente, depois da metade do andamento dos cursos, é feito um cadastro para que o MEC venha visitar em loco. Isso nos preocupa pois é essencial falar a verdade, e a verdade é que já há prejuízo na Agronomia. O MEC vai perguntar, inclusive para os estudantes: - Quando que essa érea ficou disponível? Em que momento se deram as aulas práticas? Existia estrutura física para que as aulas práticas acontecessem? Nesse processo de avaliação, o MEC vem, a Equipe MEC fica uma semana aqui conosco. Quando trabalhamos para ofertar um curso, para poder abrir um curso, precisamos provar que temos condições de tocar o curso nos dois primeiros anos. Aí inicia o curso e precisamos trabalhar para dar conta dos demais anos. Quem sabe se não houvesse tanta interferência política partidária já estivesse resolvido há muito tempo. Teve todo um impasse, uns queriam de um jeito, outros de outro e o IFFAR Campus Santo Augusto ficou no meio disso tudo. O que posso afirmar é que até o final de 2019 não há riscos de o MEC cancelar a oferta, mas em 2020 a conversa já é outra. Iniciamos em novembro de 2013 as primeiras tratativas, trabalhamos com alguns deputados, o Deputado Gerônimo foi bem importante, então a nossa parte desse compromisso foi feita. Hoje o Curso já tem prejuízo. A primeira turma ingressou no início de 2018, e já há um comprometimento com essa turma.