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Terça-feira, 02 de Junho de 2020

COVID-19: enfermeira recebe homenagem de ex-colegas do Hospital UNIMED após alta

COVID-19: enfermeira recebe homenagem de ex-colegas do Hospital UNIMED após alta

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O ano de 2020 dá um sentido ainda mais especial aos profissionais da área da saúde. Pessoas que em meio a uma pandemia que assusta o mundo, deixam seus lares com o coração apertado, para exercerem a vocação de cuidar. E em pleno período em que o Hospital Unimed Noroeste/RS celebra a Semana da Enfermagem, a equipe teve uma importante missão: cuidar de quem cuida e que dedicou mais 10 anos à instituição.
Infectada pelo novo Coronavírus, a enfermeira Carine Ferrari Aime, de 33 anos, buscou amparo para sua recuperação no Hospital Unimed, ao qual dedicou parte de sua vida. Mas mesmo diante da doença e da ânsia pela recuperação plena, ela reafirma seu compromisso de vida. “Por mais que esse fato tenha acontecido, eu amo a Enfermagem, amo ser enfermeira e não me vejo em outra profissão. Tenho uma paixão enorme pelo que faço”. Cita ainda palavras de Santa Paulina: “embora venham ventos contrários, jamais desanimes”.
Na linha de frente – A enfermeira teve resultado positivo pra Covid-19 no dia 6 de maio, no município de Saldanha Marinho, onde reside e trabalha atualmente. Com o agravo dos sintomas, internou no Hospital Unimed na segunda-feira, 11, na Unidade de Internação 300, exclusiva para pacientes suspeitos ou confirmados da doença, por ocasião, área na qual atuou nos últimos anos. “A experiência do cuidado pelos meus então colegas foi maravilhosa. Percebi o cuidado com amor, com dedicação, com zelo, prezando pela segurança e qualidade no atendimento, sempre vendo o lado humano”, comenta Carine, que reforça algo muito evidenciado na recuperação de uma pessoa com Covid-19. “Senti que a gente não podia dar o abraço caloroso, que passa aquela segurança. Mas só o fato de saber que essas pessoas estavam aqui, cuidando do meu bem-estar, já tranquilizava”.
Com a recuperação, a paciente teve alta hospitalar nesta quinta-feira, 14, e ao sair, recebeu o carinho dos seus ex-colegas. “Ter um profissional da linha de frente contaminado é um misto de angustia, com segurança e certeza. Certeza de sempre estar onde devemos estar pra ajudar o próximo; angustia, porque a posição de paciente torna tudo diferente; segurança, porque que ela estava sendo cuidada por nós”, comenta a enfermeira Ananda Hoffmann Hartmann, do Hospital Unimed, com quem Carine tem laço de amizade. “Buscamos mantê-la motivada. Temos certeza que assim que estiver bem e liberada para as atividades, vai voltar com tudo na linha de frente”, ressalta a colega de profissão.
“O destino prega peças” – Já em período de avanço da Covid-19 no País, a enfermeira que voltava de um período de licença maternidade, optou por pedir demissão da instituição de Ijuí e fixar residência em Saldanha Marinho, município com menos de três mil habitantes. “Saí por opção minha, pra ficar próxima da família e, assim, meus filhos ficarem mais próximos dos avós. Pensei que não iria dar tão ‘de cara’ com o Coronavírus, por ser uma cidade menor”, relata Carine.
Há cerca de 30 dias, a enfermeira começou a trabalhar em instituição daquela cidade. “Enquanto profissional, fiquei com bastante medo, vendo informações sobre a Covid-19 o tempo todo. Mas o amor pelo próximo e por minha profissão me fez seguir firme no meu propósito. Porém, às vezes o destino prega algumas peças e fui pega de surpresa com o resultado positivo pra Covid-19. Na cidade em que estou acabou ocorrendo um surto”, desabafa a enfermeira que presenciou a Pandemia da Influenza H1N1 em 2009, logo depois de graduada.
Vírus com alto risco de contágio – A insegurança sentida por Carine Aime é o sentimento dividido com todos os profissionais da área da saúde. “Realizei várias coletas de pacientes em que o resultado foi positivo. É uma coisa que a gente, como profissional da linha de frente, tá exposto”, explica. Com experiência em alas de isolamento e utilizando-se dos equipamentos de proteção, a profissional diz não saber a ocasião em que contraiu o vírus, que tem alto potencial de contágio. “Foi tão rápido e fácil que fico pensando em qual momento me contaminei, se em uma coleta, retirada de EPIs ou até no próprio atendimento. Já refiz meus passos inúmeras vezes tentando descobrir como foi”, relata emocionada.
Diante da experiência vivida, a enfermeira alerta a necessidade de atenção pelos profissionais. “Continuem exercendo a profissão com todo cuidado e proteção possível. Usei todos os EPIs necessários e mesmo assim acabei me contaminando. Então, peço que se cuidem. Assim vocês estão se protegendo e cuidando de suas famílias ao mesmo tempo. E nunca esqueçam de continuar exercendo a profissão com todo amor e carinho, porque amor e carinho ajudam a curar”.
Foram dias de angústia. O medo de contaminar os filhos, um menino de três anos e uma menina de oito meses que ainda era amamentada no peito, o marido que já passou por uma cirurgia cardíaca, além do temor de “deixá-los” ou de alguma sequela, a dor da distância. Mas a partir de agora, Carine segue a recuperação em casa, observando as precauções necessárias.

Na edição impressa do Jornal O Celeiro você confere uma entrevista especial sobre o Dia do Enfermeiro. Vale a pena conferir!!!!

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