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Quarta-feira, 01 de Dezembro de 2021

Compromisso ambiental assumido pela China repercute na produção de defensivos agrícolas

Imagem ilustrativa

Compromisso ambiental assumido pela China repercute na produção de defensivos agrícolas

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Principais parques fabris chineses estão localizados nos distritos onde houve a redução de até 90% da disponibilidade no fornecimento de energia

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) promoveu, nesta sexta-feira (22), audiência pública para debater o desabastecimento de defensivos agrícolas para a próxima safra. A discussão foi proposta pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) após o alerta emitido pela indústria e o setor produtivo, de que pode faltar matéria-prima para a produção de fertilizantes e uma série de agroquímicos utilizados nas lavouras. De acordo com o presidente da CropLife Brasil, Christian Lohbauer, há um cenário de desorganização internacional por vários fatores combinados, como problemas logísticos, crise energética e disparada nos custos de produção. “E nesse panorama geral temos que focar nos defensivos. 76% dos ingredientes ativos utilizados pela indústria brasileira são importados, sendo 32% da China, 11% dos Estados Unidos e 11% da Índia”, destacou o dirigente.

Já a diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Eliane Kay, ressaltou que o compromisso ambiental assumido pela China para a redução na emissão de gases tem relação direta com o problema no fornecimento das matérias-primas aqui no Brasil. “As províncias chinesas passaram a ter uma meta de redução de consumo energético. O país foi dividido em três zonas: vermelha, amarela e verde. Nas zonas vermelhas houve a redução de até 90% da disponibilidade de energia e são exatamente nestas localidades onde estão concentrados os principais parques fabris responsáveis pela produção dos químicos”, explicou Kay. Ou seja, a redução do trabalho nos parques químicos combinada com o aumento da demanda está provocando a escassez da oferta em todo o mundo. Ela confirmou que a indústria já está encontrando dificuldades em conseguir os volumes necessários por conta dos cancelamentos das entregas e da escalada de preços. A dirigente apontou ainda a falta de embalagens com outro grande problema enfrentado pelo setor.

Representando o Ministério da Agricultura, o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Carlos Goulart, ressaltou que a pasta tem acompanhando com muita atenção o efeito da pandemia nas cadeias de suprimentos. Goulart confirmou que em relação aos fertilizantes há um cenário real de falta para as próximas safras, haja vista o elevado grau de dependência do Brasil em relação ao nitrogênio. O potássio também preocupa, já que o Canadá – grande fornecedor mundial – está com duas de suas principais minas alagadas. Já o fornecimento de fósforo não enfrenta maiores problemas. Neste caso, o Marrocos é o principal produtor e não tem nível de criticidade na produção e entrega do insumo. Goulart ressaltou ainda que o Brasil precisa acelerar a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes para buscar a autossuficiência no longo prazo. Outra solução, mais imediata, seria a sensibilização das equipes técnicas do MAPA, Anvisa e Ibama na análise de registros como forma de acelerar a liberação de fontes alternativas e novos fabricantes.

Neste cenário de limitação do uso energético na China, o fósforo amarelo acabou duplicando de preço só no mês de setembro. Potássio e glifosato tiveram reajuste da ordem de 200%. Para o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, o fim do Convênio 100 trará um aumento da tributação sobre os fertilizantes, quando haverá a elevação gradual da cobrança de ICMS sobre o fertilizante importado, partindo de 1% em 2022 e atingindo 4% em 2025. “Por mais que nós busquemos a elevação da produção nacional, não existe a figura da autossuficiência. No cenário brasileiro não temos essa capacidade. Mesmo que colocássemos em funcionamento nossa mina de extração de potássio, teríamos capacidade de produzir 20% do que consumimos. Seguiríamos importando 80% da nossa demanda interna”, explicou. Segundo ele, a taxação do insumo importado vai acabar repercutindo ainda mais no preço dos alimentos.

Como encaminhamento final da audiência pública, o deputado Jerônimo Goergen e a presidente da CAPADR, deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), vão se reunir nos próximos dias com a ministra Tereza Cristina para buscar alternativas ao fornecimento das matérias-primas utilizadas na produção dos defensivos agrícolas. “Acredito que o grande dever de casa agora seja a diplomacia. Conversar com a China e outros parceiros estratégicos, para que possamos localizar fornecedores que supram essas carências de ordem logística e energética. Internamente, vamos tentar acelerar a liberação de moléculas que aguardam na fila da burocracia para serem comercializadas. Estamos saindo de uma crise sanitária mundial e não podemos correr o risco de provocar uma epidemia de fome”, concluiu Jerônimo.

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