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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2022

Celso Blues Boy

Celso Blues Boy

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Vou dedicar essa coluna a um grande músico que particularmente sou um grande fã, um gigante do blues rock que nos deixou em 06 de agosto de 2012, vítima de um câncer de garganta. Celso Blues Boy, o eterno bluseiro hiper fã do lendário BB King. O cara era tão fã que tocou em 86 com o mestre BB King num show aqui no Brasil e, se não bastasse isso, de quebra ainda ganhou a Lucille do homem. Sem mais né. Celso era um artista único, dizem que nunca tocava o mesmo solo nos shows, sempre na base, mas inovando. Tocar com o BB King seria a mesma coisa que se eu fosse amigo íntimo do Cortella ou jogasse xadrez com o Kasparov. Mas tu deve tá se perguntando o porquê da minha pessoa gostar tanto do blues rock do homem aí, cara, é explicável, totalmente explicável! Primeiramente eu te digo que música boa tem nome e tem sobrenome, época e sentimento. Se você gosta dessas poluições sonoras que existem por aí, tudo bem, fique com elas, não há problema algum, é gosto e mais nada. Eu sou bairrista até para apurar o critério musical, fã de carteirinha do saudoso Porca Véia, como bom gaúcho que sou, fico nas entrelinhas das canções, prestando atenção nas gírias e dizeres do nosso pago, pois ali tem sentimento, tem história, tem cultura. A mesma coisa para uma canção das tradicionais “bandinhas”, muito populares no interior do nosso estado, com épicas bandas. É isso aí, você consegue tirar ensinamentos e pensamentos de um monte de músicas. Abra uma gelada, coloque “Quando um Bluseiro se vai’ do Celso Blues Boy, curtíssima, mas esse último álbum é simplesmente viciante, aumente o som e escute umas dez vezes, até sentir a letra, preste atenção na letra! Depois, escute “O Nome dela é Ieda”, bah, aí tu vai te perder. A voz rasgada do Celso, de tanto crivo e cerveja, é inconfundível, o cara viveu de forma honrada, pois não bastava tocar pra caralho, ainda cantava perfeitamente, do jeito que mais admiro, voz puxada e rouca, é aí que eu me refiro meu filho. O cara era tão majestoso e sensacional, que pegou Fuscão Preto, clássico sertanejo, daquelas de riscar os chifres no asfalto e transformou num blues de arrepiar, escute lá no Spotify ou YouTube, se não bastasse – ainda tem outra, uma canção chamada, “Uirapuru”, uma canção sertaneja, daquelas raiz mesmo, e adivinha… transformou numa bluseira, rapaz do céu, que pedrada! Daquelas do cara lacrar o som e dane-se a vizinhança. Haha, que massa! “Por dentro eu sei… que nunca senti… nada além de amor… em tudo que vivi…” eu quase choro cada vez que escuto Sempre Brilhará e Layla do Clapton. A letra, a melodia, a voz rasgada e o carisma do Celso fazem da sua obra eterna na mente de quem é seu fã, assim como o saudoso Bebeco Garcia, o maior do sul, o qual escreverei na próxima coluna. Com tanta música ruim nesse mundo, tanta poluição, quando escuto meu blues eu entro em delírio, confesso, pois respeito os demais gostos, e para agradar certas pessoas eu até vou onde não desejaria estar, por amor a quem gosto, mas contra. Não adianta tentar mostrar algo bom para aquele que não está disposto a entender, então, deixe-me curtindo, salve Celso Blues Boy!

 

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