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Sábado, 26 de Setembro de 2020

A vida sobre quatro rodas: os desafios da estrada

A vida sobre quatro rodas: os desafios da estrada

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“No início ficar um dia ou dois sem tomar banho era o fim do mundo para mim. Hoje eu trabalhei melhor essa questão e não sofro mais tanto quando acontece. Hoje, tenho meus pequenos rituais que ajudam a manter tudo equilibrado”.

O vrum…vrum da Madalena é um convite para novos lugares e horizontes. Malas prontas e lá vão eles, novamente pela estrada. A casa é versátil, afinal, viver sobre quatro rodas tem lá suas vantagens. O casal gaúcho, Lorenzo Marques e Vanessa Kappere iniciou um novo estilo de vida em março de 2018. Libertar-se dos muros, papeis e chatices da vida cotidiana para dar vez às paisagens de mais de oito países, em 27 Estados Brasileiros, por milhares de quilômetros.
Empresária, vaidosa, uma mulher bem sucedida, assim poderia ser descrita a vida de Vanessa antes de jogar tudo para o alto e cair na estrada. Ele, funcionário público federal, ganhando um big salário e com a vida financeira estabilizada. Mas isso não era o suficiente, faltava algo. Um vazio que foi suprido pelas descobertas proporcionadas pela viagens. Uma atitude que para muitos pode soar inconsequente, para outros é sinônimo de ousadia, coragem e até a realização de sonhos intrínsecos.
Viver viajando traz certas peculiaridades, fatos estes que trouxeram para a vida do casal a noção da importância de pequenas coisas, como um banho relaxante ao final do dia, ou roupas limpas para vestir. “Eu abandonei hábitos que eram necessários para eu me sentir completa, feliz e realizada naquela fase da minha vida. Hoje eu só quero um banho no final do dia e uma roupa limpa para vestir porque já estou completa de muitas outras formas”, explicou Vanessa.
Porém, engana-se quem pensa que para ser mulher e viver na estrada é preciso deixar totalmente de lado a vaidade, ou ser menos feminina. Tudo acaba sendo questão de ajustes e de escolhas. “Hábitos que antes se faziam necessários para mim, como viver maquiada e produzida o tempo todo, perderam um pouco do sentido. Hoje me sinto vivendo algo muito maior, uma jornada pelo mundo, com descobertas, alegrias e tristezas, mas principalmente lições”.
Vanessa conta que o começo da jornada foi mais difícil. Ela teve de deixar de lado muitos hábitos, antes considerados por ela de extrema importância. “Eu troquei uma rotina de cuidados, por outra que eu não conseguia fazer nada”, conta. A palavra adaptação passou a ter mais significado. “Não posso ter um guarda-roupa cheio, viajamos muito e por muitos meses. Meu guarda-roupa na maioria das vezes é basicamente biquínis e shortinhos. Quando vamos para uma região mais fria, tenho que diminuir os itens de verão e abrir espaço”, explicou.
Contudo, andar “Por aí de Kombi” tem lá suas vantagens, mas a principal é ensinar a importância das pequenas coisas, dos pequenos hábitos, do conhecimento de povos, crenças e costumes, que pode fazer uma diferença gigante na vida de alguém. “Pequenas coisas que fazem muita diferença no meu dia a dia, tanto em termos práticos quanto em bem estar mesmo. Faço minhas unhas quando tenho um tempinho, isso me dá um bem estar danado. Tenho minhas rotinas de cuidados com a pele, esses detalhes fazem com que eu continue me sentindo bem como mulher, visto que são coisas importantes para mim”, finalizou.
A maior constatação de toda essa história é a libertação, sentir-se livre, feliz, de bem com aquilo que é sua vida é a maior lição de toda essa história. A ideia não é fazer com que você abandone tudo e saia viajando por aí. A intenção é que você se liberte de paradigmas que te prendem a uma realidade infeliz ou algo que não seja o seu desejo real. Afinal, temos uma só vida.

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