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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020

A Síndrome da Péssima Mãe

A Síndrome da Péssima Mãe

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O texto abaixo não foi escrito por mim. Ele foi originalmente publicado no site El País, mas é perfeito para o que eu gostaria de dizer para você hoje e por isso o reproduzo aqui. O título do artigo, escrito por Patrícia Ramirez, é “A Síndrome da Péssima Mãe”.
Este artigo poderia ir dirigido aos pais. Pais desejosos de desfrutar de seus filhos, passar tempo com eles; pais entregues, que brincam, que trocam fraldas e educam da mesma forma que as mães. Mas as mudanças sociais, profissionais e de papéis que a mulher protagonizou nestas últimas décadas e como essas mudanças tiveram impacto na maternidade merecem um artigo somente para elas. Pense durante alguns segundos no conceito de mãe, não na sua, nem na melhor ou pior mãe do mundo que você possa conhecer. Apenas reconsidere o que significa e o que associamos com “ser mãe”. Imagino que aparecem na sua cabeça ideias como “amor incondicional, abnegação, dedicação, ternura, abrigo, renúncia, satisfação, plenitude, realização pessoal, vida, entrega, estar sempre aí, lealdade, submissão…” E uma quantidade infinita de palavras relacionadas com entregar tudo por alguém.
Esse é o conceito com o qual fomos educados. A mãe é essa pessoa incondicional que nunca vai falhar. Essa pessoa capaz de renunciar a tudo para que você esteja bem, a que espera com paciência, a que sempre tem uma palavra de apoio para animar ou a que empresta seu ombro para você chorar quando for preciso. Esta visão de mãe é de quando as mulheres eram educadas para não terem outra ambição mais do que serem boas esposas, mulheres, educadoras e transmissoras de valores; quando só se dedicavam a cuidar da família e organizar o lar, costurar, fazer coletas, tirar piolhos, cozinhar, limpar ou mandar em quem limpava a casa. Havia exceções, claro, como Marie Curie, física, matemática, química, mãe de duas filhas e premiada com dois prêmios Nobel, mas não era a regra geral.
Mas os tempos mudaram. Muitas avós dizem: “Como é difícil para vocês triunfarem agora”. Não basta ter filhos limpos, bons estudantes e educados. Triunfar hoje em dia para a mulher implica em ser boa mãe, uma profissional brilhante; conseguir ter um grupo de amigas; aprender a ser independente em nível emocional e econômico; ter um tempo para ler, fazer exercício e ter hobbies; usar manequim 40 pelo resto da vida; ter ao lado um homem que valorize seu esforço, seu trabalho, goste como ela é, seja carinhoso e compreensivo, e saiba compatibilizar com você as tarefas domésticas e a educação dos filhos.
Muitos modelos, exigências e expectativas altíssimas, que no final levam a repetir o modelo de mulheres orquestras que têm a sensação de estar em tudo sem chegar a nada. E quando você acredita que não está cumprindo à perfeição com a prioridade entre todas suas atividades, que costuma ser a atenção a seus filhos, acaba se valorizando de forma negativa. Há mães que acreditam ser “péssimas mães” por não cumprir com suas expectativas ou as impostas pela sociedade.
Não dê pontos a seu valor como mãe em função da quantidade de tempo que dedica aos filhos. O que deve ser valorizado e ao que você deve dedicar sua atenção é à qualidade das relações e ao vínculo com seus filhos. Tampouco deve se sentir culpada por compatibilizar sua maternidade com seu trabalho profissional, por dedicar tempo para treinar ou querer ler um livro sozinha e tranquila na poltrona. Seus filhos serão mais felizes se sua mãe se sente satisfeita, plena e profissionalmente realizada. Não se engane convencendo-se de que ser mãe é suficiente para se sentir completa.
Se conseguir compatibilizar seu trabalho, sua vida social, com o tempo que dedica a si mesma e aos filhos, vai ser mais feliz que se viver de forma abnegada e com sacrifício a relação com seus filhos.

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